A desigualdade racial continua a gerar muitos debates
no Brasil. A questão da desigualdade racial no ambiente
escolar público, no acesso à saúde, e no mercado de
trabalho continuam a desafiar os formuladores de políticas
públicas e de políticas afirmativas.
Assinale a afirmativa incorreta sobre a questão da
desigualdade racial no Brasil.
A Um dos argumentos contrários ao estabelecimento de
políticas reparadoras baseadas em quesitos raciais é
de que a exclusão social no Brasil não é determinada
pela cor da pele, mas pela pobreza.
B Políticas públicas de natureza diversa, adotadas em
diferentes níveis de governo nas últimas duas décadas,
têm sido capazes de impulsionar a construção das
bases da igualdade. Indicadores socioeconômicos
de toda ordem mostram uma melhoria nas condições
de vida da população negra, bem como no acesso a
serviços e direitos.
C Os argumentos favoráveis às ações afirmativas vêm
de uma avaliação acerca do impacto específico
das iniciativas em curso no País. O caráter pontual
e descentralizado de políticas especificas e locais
(municipais) facilita a identificação destas nas
mudanças na vida dos negros de todo o Brasil nos
últimos anos. Há também o fato de um número
cada vez maior de instituições e órgãos públicos
e privados manterem programas de inclusão ou
combate à discriminação e o preconceito de forma
descentralizada. A partir dos dados estatísticos
nacionais, é possível desagregar o que é impacto de
cada ação afirmativa e o que é resultado das políticas
de caráter universal e compará-los e visualizando
como cada ação afirmativa local alterou o panorama
nacional.
D A principal explicação para a diminuição de diferenças
entre o salário de trabalhadores negros e de brancos
estaria no efeito redistributivo das políticas sociais,
em especial em relação ao salário mínimo e os
benefícios previdenciários. Isso porque a maior parte
dos trabalhadores negros atua em setores cujos
vencimentos estão atrelados ao salário mínimo. Além
dos fatores macroeconômicos e das políticas salariais,
a análise do IPEA chama a atenção para o peso
dos programas de redistribuição de renda. Sendo o
IPEA e outros estudos, a importância dos benefícios
do Bolsa Família sobre a renda das famílias negras
é maior do que para as famílias brancas. Entre os
afrodescendentes, o programa representa 23,1% da
renda da família. Para os brancos, 21,6%. Além disso,
a proporção de famílias cujo chefe é preto ou pardo
beneficiadas pelo programa – 24% do total de famílias
deste grupo no país – é quase três vezes maior do que
a das unidades familiares brancas (9,8%).
E Entre 1990 e 2010, homens e mulheres negras viram
sua renda, expectativa de vida e acesso à educação
– para citar apenas os componentes do Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) – avançarem de
forma mais acelerada do que as da população branca.