Texto II
[...] o estudo de gramática não é um caminho
conveniente para desenvolver o desempenho na
leitura e na escrita (muito menos na fala). Outra
coisa que a gramática não deveria ser é um
instrumento de ensino normativo. Aqui, sua ação
tem sido mais que inútil, tem sido desastrosa.
O grande perigo é transformar a gramática – uma
disciplina já em si um tanto difícil – em uma doutrina
absolutista, dirigida mais ou menos exclusivamente
à “correção” de pretensas impropriedades
linguísticas dos alunos. A cada passo, o aluno que
procura escrever encontra essa arma apontada
contra sua cabeça: “Não é assim que se escreve
(ou se fala)”, “Isso não é português” e assim por
diante.
(PERINI, Mario A. Gramática descritiva do português.
São Paulo: Ed. Ática, 2003. p.33)