Se Machado de Assis tornou-se quase inseparável do equacionamento das ‘ideias fora de lugar’, isto é, dos desnivelamentos e disparates entre a escravidão cotidiana e a pretensão universalizante do liberalismo burguês que pautou as nações modernas, o futebol brasileiro e Pelé são inseparáveis do ‘lugar fora das ideias’, o vetor inconsciente por meio do qual o substrato histórico e atávico da escravidão se reinventou de forma elíptica, artística e lúdica.
WISNIK, José Miguel. Veneno remédio: o futebol e o Brasil.
São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
O autor traça uma comparação entre duas personagens importantes da cultura brasileira. O trecho destacado expressa