“Dado o hábito existente de representar a vida
social como o desenvolvimento lógico de conceitos
ideais, não é impossível, outrossim, que sejamos
acoimados de materialistas, nem que se acuse de
grosseiro um método que torna a evolução coletiva
dependente de combinações objetivas, definidas no
espaço. Poderíamos com maior justiça reivindicar a
qualificação contrária. A ideia de que os fenômenos
psíquicos não podem ser derivados diretamente dos
fenômenos orgânicos não constitui efetivamente a
essência do espiritualismo? Ora, o nosso método
não é, em parte, senão a aplicação destes princípios
aos fatos sociais. Separamos o reino psicológico do
reino social, do mesmo modo que os espiritualistas
separam o reino psicológico do biológico; como
eles, recusamos explicar o mais complexo pelo
mais simples. Na verdade, porém, nem uma nem
outra apelação nos convêm exatamente; a única que
aceitamos é a de racionalistas. Estender à conduta
humana o racionalismo científico é, realmente, o
nosso principal objetivo, fazendo ver que, se a
analisarmos no passado, chegaremos a reduzi-la a
relações de causa e efeito; em seguida, uma
operação não menos racional a poderá transformar
em regras de ação para o futuro. Aquilo que foi
chamado de nosso positivismo, não é senão
consequência deste racionalismo”.
O trecho acima é um fragmento do prefácio à
primeira edição de uma das principais obras escritas que colaboraram para o surgimento e
consolidação da sociologia como uma ciência
autônoma. O trecho supracitado, embora seja um
prefácio, conforme mencionado, faz indicações de
conceitos que viriam a se tornar basilares para
sociologia como um todo e para um autor
especificamente, do ponto de vista histórico. Nesse
sentido, escolha a alternativa que a aponta
corretamente o autor e a obra em questão.