Em 1147 os cruzados chegaram na cidade do Porto, onde foram
recebidos pelo bispo D. Pedro Pitões com um discurso que os
compelia a ajudarem o rei D. Afonso Henriques na retomada da
cidade dos mouros:
Portanto, irmãos, tomai com essas armas a força com que na
guerra defendemos dos bárbaros a nossa pátria, dos inimigos a
nossa casa, dos ladrões os nossos amigos; porque ela está cheia
de justiça. Fazei a guerra por zelo de justiça e não por impulso
violento da ira. Ora a guerra justa, diz o nosso Isidoro, é a que se
faz por reaver o que é nosso, ou para repelir os inimigos. Quem
mata os maus só no que eles são maus e o faz com justo motivo, é
ministro do Senhor. Portanto não é lícito duvidar de que seja
legitimamente empreendida a guerra que se faz por ordem de
Deus.
Adaptado de Conquista de Lisboa aos mouros em 1147, Carta de um cruzado inglês.
Lisboa: J. Felicidade Alves, 2004, p. 28-30.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir a respeito da
mentalidade cruzadista da nobreza portuguesa no século XII.
I. A igreja legitimou o confronto cristãos-muçulmanos com o
argumento de que essa guerra possuía uma causa justa:
retomar um território da cristandade que havia sido invadido
pelo Islã.
II. A mentalidade de cruzada atribuiu ao processo militar de
Reconquista um caráter sagrado, em consonância com a
vontade divina.
III. O espírito cruzadista foi alimentado por um discurso binário e
dicotomizado, em que o inimigo muçulmano é descrito como
um violador e é associado à destruição e ao saque.
Está correto o que se afirma em