Bacamarte espetara na pobre senhora
um par de olhos agudos como punhais. Quando
ela acabou, estendeu-lhe a mão polidamente,
como se o fizesse à própria esposa do vice-rei, e
convidou-a a ir falar ao primo. A mísera acreditou;
ele levou-a à Casa Verde e encerrou-a na galeria
dos alucinados.
A notícia desta aleivosia do ilustre
Bacamarte lançou o terror à alma da população.
Ninguém queria acabar de crer que, sem motivo,
sem inimizade, o alienista trancasse na Casa
Verde uma senhora perfeitamente ajuizada, que
não tinha outro crime senão o de interceder por um
infeliz. Comentava-se o caso nas esquinas, nos
barbeiros; edificou-se um romance, umas finezas
namoradas que o alienista outrora dirigira à prima
do Costa, a indignação do Costa e o desprezo da prima. E daí a vingança. Era claro. Mas a
austeridade do alienista, a vida de estudos que ele
levava, pareciam desmentir uma tal hipótese. (...)
ASSIS, Machado de. Papéis avulsos. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2013. p. 29.
Sem prejuízo de sentido do texto, o termo
destacado em “A notícia desta aleivosia do ilustre
Bacamarte lançou o terror à alma da população”,
no início do 2º parágrafo, pode ser substituído por