Na década de 1960, todos os olhos do País se
voltavam para o cerrado. Uma nova capital estava sendo
inaugurada bem no meio do Brasil. Junto com o nascimento
de Brasília surgiam também grandes obras arquitetônicas e
uma atmosfera de prosperidade e urbanização. Pensando
assim, fica até difícil imaginar que, a menos de 220 km dali,
um lugar ainda permanecia “escondido” e praticamente
intocado no Planalto Central.
Enquanto os brasileiros se deslumbravam com a
modernidade da nova capital, a Chapada dos Veadeiros, ali
do ladinho, ainda era um segredo pertencente a poucos.
Nem mesmo os fazendeiros, os nativos, os bandeirantes e os
pesquisadores que já haviam estado
ali tinham noção de
tudo o que aquelas terras escondiam. As cachoeiras
esverdeadas, as piscinas naturais cristalinas, os cânions
esculpidos pelo vento e pela água…
Não demorou muito para o segredo se espalhar.
Vinte anos depois, em 1980, um grupo de jovens adeptos da
contracultura e do movimento hippie mudou-se para a
região em busca de um local
propício para viver em paz e
harmonia com a natureza. A Chapada dos Veadeiros parecia
ser o endereço perfeito para isso.
A partir daí, o desenvolvimento da região foi só uma
consequência. A infraestrutura foi melhorada, novos
empreendimentos foram criados e curiosos do mundo todo
passaram a ir até lá para ver de perto o que tinha de tão
especial naquelas bandas. O potencial era tanto que, hoje,
tão pouco tempo depois, a Chapada dos Veadeiros se tornou
um dos destinos turísticos mais populares do estado de
Goiás — e do Brasil.
Revista Azul, nº 119. Adaptado.