“A ação é apenas o resultado da luta entre as vontades
de um corpo. O que vemos por fim é o resultado do
combate e que, por isto, nos aparenta uma unidade. Ao nos
identificarmos com a ação, acreditamos ser também os
responsáveis por tais ações. É muito comum o recurso
retórico aos motivos que impulsionariam ações, declarandose que uma ação foi tomada devido a um determinado
motivo. Mas esta própria luta dos motivos traduz apenas o
jogo impulsivo subterrâneo ao qual quase não se tem acesso
e, caso o motivo exista, seria ‘algo para nós completamente
invisível e inconsciente’ (Nietzsche, Aurora). O que se tem
sempre é o conhecimento do resultado da luta dos motivos,
mas ‘a luta mesma se acha oculta de mim, e igualmente a
vitória, como vitória; pois venho a saber o que faço – mas
não o motivo que propriamente venceu’ (Nietzsche,
Aurora)”.
(Gustavo Arantes Camargo. Liberdade e vontade de
potência na filosofia de Nietzsche. Cadernos Nietzsche 42
(3), Setembro/Dezembro, 2021.)
No texto acima, o autor defende que, para Nietzsche,