“Eis o paradoxo da relação educativa: ela requer que o
Educador seja percebido como estando ao mesmo tempo
muito próximo e muito distante: próximo o bastante para
que se possa ser como ele um dia, distante o suficiente para
que se tenha a vontade de ser como ele um dia. Eis a
dificuldade de sua ação: manifestar, sem escrúpulos, sua
diferença, mostrar-se na posição mais bem sucedida e,
nesse mesmo momento, manifestar sua extrema
proximidade, deixar penetrar a emoção compartilhada, a
inquietação ou o medo, sinal tangível de sua humanidade.
Mas também, no momento da mais respeitosa escuta, na
mais empática compreensão, quando se esforça para estar
o mais próximo do outro e quando parece disposto a juntar-se a ele, não esquece que sempre faz "como se" e que
esconder isso seria a pior das ilusões. E quando se tratar de
ensinar, encontrará ainda esta dupla exigência: anunciar
seus objetivos, apresentar o saber com a convicção de quem
sabe e quer ganhar a adesão, mas projetar-se também nos
bancos de sua sala de aula, tornar-se aluno de seu próprio
saber para compreender as tentativas e os erros daquele
que ainda não sabe.”
MEIRIEU, Philippe. Aprender... sim, mas como? Porto Alegre: Artmed,
1998, p. 94.
A partir do trecho selecionado, pode-se afirmar: