Em “Capitães da Areia”, podemos observar que
a narrativa do escritor baiano é um veículo que
tem como uma de suas funções “divulgar os
maus tratos da sociedade e a negligência do
poder público, em relação ao problema do
menor abandonado no Brasil, e propaga
também a consequência desse descaso sócio-estatal: a configuração da delinquência infantojuvenil”. (FIGUEIRÊDO, Ediliane Lopes Leite de,
2011, p.88).
Analise os fragmentos a assinale, dentre as
alternativas de resposta, a passagem que
ratifica a explicação específica sobre a narrativa
de Jorge Amado.
I. “Logo depois transferiam para o trapiche o
depósito dos objetos que o trabalho do dia lhes
proporcionava. Estranhas coisas entraram para
o trapiche. Não mais estranhas, porém, que
aqueles meninos, moleques de todas as cores e
idades as mais variadas, desde os 9 aos 16
anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e
por debaixo da ponte e dormiam indiferentes
ao vento que circundava o casarão uivando,
indiferentes à chuva que muitas vezes os
lavava” (AMADO, 2008, p. 28).
II. “ – O senhor não tem vergonha de estar nesse
meio, padre? (...) Um homem de
responsabilidade no meio dessa gentalha (...).
– São crianças, senhora. (...)
– Isso não são crianças, são ladrões.
Velhacos, ladrões (...) São até capazes de ser
os Capitães da Areia (...)” (AMADO, 2008, p.
81).
III. “Nem parecia um meio-dia de inverno. O sol
deixava cair sobre as ruas uma claridade macia,
que não queimava, mas cujo calor acariciava
como a mão de uma mulher. No jardim
próximo as flores desabrochavam em cores.
Margaridas e onze-horas, rosas e cravos, dálias
e violetas” (AMADO, 2008, p. 110).
Estão corretas as afirmativas: