Os resultados da investigação conduzida pela Polícia
Federal a respeito do assassinato da vereadora Marielle
Franco e de seu motorista Anderson Gomes, no dia 14 de
março de 2018, apresentaram fortes indícios de que o
assassinato da parlamentar decorreu de sua resistência às
iniciativas de legalização da grilagem de terras invadidas e à
implementação de loteamentos irregulares ligados à milícia
em diferentes áreas da zona oeste do município do Rio de
Janeiro. Deste fato, de repercussão internacional,
depreende-se que os negócios que envolvem a regularização
fundiária de áreas invadidas ilegalmente por milícias e o
fornecimento de serviços e equipamentos urbanos são
estratégicos para a ampliação e manutenção deste sistema
político perverso, cuja dinâmica, porém, não é isolada e
tampouco recente, por tratar-se de um tipo de operação
comum no “subsistema político” de outros municípios
brasileiros.
Raquel Rolnik et al, Folha de São Paulo, 26 de março de 2024.
Este modo de grilagem de áreas e terras públicas, de comandar o fornecimento de serviços públicos e de interferir e controlar a regularização fundiária pode ser resumidamente compreendido como uma das faces mais perversas e perniciosas