Desidratação é depleção significativa da
água do corpo e, em geral, de eletrólitos.
Sinais e sintomas incluem sede, letargia,
mucosa seca, oligúria e, à medida que o grau
de desidratação progride, taquicardia,
hipotensão e choque. O diagnóstico baseia-se
em história e exame físico. O tratamento é com reposição de líquidos e eletrólitos orais
ou IV. Sobre este assunto assinale a incorreta:
A Em geral, os deficits de sódio são cerca
de 60 mEq/L (60 mmol/L) do deficit hídrico, e os
deficits de potássio costumam ser cerca de 30
mEq/L (30 mmol/L) do deficit hídrico. A fase de
reanimação deve reduzir a desidratação
moderada ou grave para um deficit de cerca de
8% do peso corporal; esse deficit remanescente
pode ser reposto pela administração de 10
mL/kg/hora (1% do peso corporal/hora) durante 8
horas.
B A fonte menos comum da perda de
líquidos é o trato gastrintestinal —por vômitos,
diarreia ou ambos (p. ex., gastroenterite). Outras
fontes são perdas renais (a mais comum) (p. ex.,
cetoacidose diabética), cutâneas (p. ex.,
sudorese abundante, queimaduras) e no 3º
espaço (p. ex., no lúmen intestinal na obstrução
intestinal ou do íleo).
C A hipernatremia faz a água alternar do
espaço intracelular e intersticial para o espaço
intravascular, ajudando, pelo menos
temporariamente, a manter o volume vascular.
Com a reposição de líquidos hipotônicos (p. ex.,
com água pura), o sódio sérico pode se
normalizar, mas também pode diminuir
(hiponatremia). A hiponatremia resulta do
deslocamento de líquido do espaço intravascular
para o interstício, às custas do volume vascular.
D Pacientes com sinais de hipoperfusão
devem receber reanimação hídrica com líquido
isotônico (p. ex., soro fisiológico ou lactato de
Ringer a 0,9%) em bolus. O objetivo é fornecer
volume circulatório adequado para restabelecer a
pressão arterial e a perfusão. A fase de
reanimação deve reduzir a desidratação
moderada ou grave para um deficit de cerca de
8% do peso corpóreo. Se a desidratação for
moderada, 20 mL/kg (2% do peso corpóreo) são
administrados por via intravenosa durante 20 a
30 minutos, reduzindo o deficit de 10% para 8%.
Se a desidratação é grave, às vezes é necessária
a administração de 3 bolus de 20 mL/kg (6% do
peso corporal). A meta da fase de reanimação
hídrica é alcançada quando a perfusão periférica
e a pressão arterial são restauradas e a
frequência cardíaca retornou ao normal (em uma
criança afebril).
E A American Academy of Pediatrics e a
OMS recomendam a terapia de reposição oral
para desidratação leve e moderada. Crianças
com desidratação grave (p. ex., evidência de
comprometimento circulatório) devem receber
hidratação IV. Crianças que são incapazes de
ingerir líquidos ou que apresentam vômitos
repetidos podem receber hidratação por via oral,
frequentemente de pequenas quantidades, por IV
ou por sonda nasogástrica.