A história da educação brasileira é marcada pela recorrência de evasões, repetências e uma série de outros fatores negativos que
são geralmente classificados como fracasso escolar, como nos atestam alguns trabalhos críticos nessa área (Silva, Barros, Halpern, & Silva,
2003). O fracasso escolar apresenta-se, dessa forma, como uma realidade indissociável da história da educação e do processo de
escolarização das classes populares no Brasil. Só para se ter uma ideia, dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) (2000) apontam que até o início da década de 1950 menos da metade da população
brasileira era alfabetizada. Em outro trabalho (Ribeiro, Vovio, & Moura, 2002), encontramos estatísticas recentes nas quais 29% da
população brasileira acima de 15 anos é classificada como analfabetos funcionais – pessoas com menos de quatro anos de estudo.
As inúmeras pesquisas e estudos sobre o fracasso escolar realizados na última década por psicólogos, pedagogos, cientistas sociais
e educadores resultaram na construção de um discurso científico sobre o fracasso escolar. Sobre os recentes resultados encontrados
em tais pesquisas, o fracasso escolar vem sendo abordado como, EXCETO: