O barão do Rio Branco não veio para o Ministério como um ministro qualquer. Era já respeitado e admirado por suas duas vitórias arbitrais. E fora convidado pelo presidente eleito, Rodrigues Alves, por ter autoridade para propor aos problemas externos as melhores soluções. Especificamente − pensava o presidente − para resolver a grande questão do momento, o Acre. E aí, acertou em cheio o presidente, fazendo justiça à fama que tinha de escolher bem seus colaboradores: o historiador, o advogado do Brasil transformou-se em um estadista já nesse seu primeiro assunto, a mais grave questão de fronteira que o Brasil teve em sua história.
GOES FILHO, Synesio Sampaio. Navegantes, bandeirantes e diplomatas.
Brasília: FUNAG, 2015, p. 328, com adaptações.
Considerando o texto precedente como referência inicial, julgue (C ou E) os itens a seguir.
Vendo as dificuldades que tinha para administrar um
território longínquo e habitado por outros nacionais, a
Bolívia havia assumido, em 1901, um grande risco.
Assinara um acordo com investidores ingleses e
norte-americanos, que dava à empresa criada por estes, o
Bolivian Syndicate of New York City, a completa
administração do Acre, inclusive com poderes de polícia.
Era uma espécie de chartered company, uma daquelas
sociedades privadas cujas atuações precederam à
colonização direta de algumas regiões africanas e
asiáticas pelas potências europeias. O perigo de um
neocolonialismo nas Américas era evidente, e esse fato
foi usado por Rio Branco para fortalecer a posição
brasileira para com os governos e a opinião pública dos
demais países do continente.