Leia o excerto abaixo:
“Primo Levi acaba por se tornar, assim como outros
narradores do Holocausto, um dos principais nomes
expoentes da catástrofe, do desmantelamento do
espírito humano naquela época sombria. Sua
percepção acerca do ocorrido, principalmente na
obra aqui estudada, nos faz perceber que a principal
fagulha de sua resistência em aceitar sua ‘nova’
condição de corpo educado era justamente o fato de
se entender como contrário a tamanha desgraça. O
autor observa como diferente não apenas aqueles
prisioneiros, de roupa listrada, com um andar
desengonçado e trôpego, como se carregasse o peso
do mundo nas costas. O diferente, o ‘outro’ para Levi
também o alemão, representado na figura dos
violentos soldados. Aquele alemão histórico,
educado, gentil, havia sumido perante botinadas e
cotoveladas dos nazistas, mas se engana quem crê apenas na violência física. Existia também o cerne da
humilhação, onde o “humor teutônico” escarna,
diminui e ameaça (LEVI, 1988,p.37) fazendo com que
simples homens tomem suas fardas como armaduras
de deuses (ou demônios?) nessa empiria dantesca.”
In.: OLIVEIRA, T.R. et al.. . Anais COPRECIS...
Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível
em:
<https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/31449
>. Acesso em: 22/09/2024 14:14