Zero Hora - O senhor já escreveu que a "arte de tecer letras" é a sua forma de
administrar a loucura. O que tanto perturba um autor de 57 livros?
Frei Beto - Somos seres múltiplos interiormente. Então, a literatura tem um
caráter terapêutico. O Hélio Pellegrino, psicanalista, escritor, poeta e muito meu
amigo, diz que eu não ter enlouquecido nos quatro anos de prisão nem
precisado fazer terapia se deve ao fato de eu ter trabalhado minha dor através
da literatura. Isso é verdade. E até hoje a literatura é o meu refúgio, é a
maneira de administrar os anjos e demônios que me habitam. Por isso, sou um
escritor compulsivo e não posso ficar 48 horas sem escrever alguma coisa que
começo a me sentir mal.
Ao analisar as declarações de Frei Beto, ao Jornal Zero Hora,