TEXTO 1Jovens sem rugas aderem em massa às aplicações de Botox Desd...
🏢 Instituto Consulplan🎯 Prefeitura de Orlândia - SP📚 Língua Portuguesa
#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Esta questão foi aplicada no ano de 2023 pela banca Instituto Consulplan no concurso para Prefeitura de Orlândia - SP. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Compreensão e Interpretação Textual, Análise Textual.
Esta é uma questão de múltipla escolha com 4 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.
Estudo aponta Botox como aliado no combate à depressão
Estudos recentes mostram que a toxina botulínica, famosa por trazer jovialidade ao minimizar rugas e linhas de expressões faciais, tem ações clínicas além da estética. Um dos tratamentos mais procurados no Brasil, com mais de 300 mil aplicações em homens e mulheres a cada ano, vem ganhando agora outras finalidades nos consultórios médicos. A descoberta revela que essa substância é capaz de bloquear a liberação de neurotransmissores responsáveis pela dor, sendo eficiente no tratamento de dores de cabeça severas, como as provocadas pela enxaqueca, o que aumentou ainda mais a procura pelo botox no mercado.
Outro importante estudo, publicado na Scientific Reports, mostra que as propriedades dessa toxina se estendem aos tratamentos emocionais. É o que explica a dentista mineira Patrícia Bertges, da clínica Ondonto Araújo, especialista no tratamento com Botox. Ela observa que, após testes clínicos, pesquisadores apontaram que, quando aplicado entre as sobrancelhas, o produto tem ações antidepressivas. “Ao não conseguir, por exemplo, franzir a testa ou fazer outras expressões de medo ou raiva, há uma diminuição da atividade da amígdala, uma região do cérebro relacionada ao controle de ansiedade e resposta ao medo. Ou seja, se a pessoa não é capaz de fazer a expressão, o cérebro tem mais dificuldade de reconhecer esses sentimentos”, aponta.
A especialista destaca outra pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA, que analisou o efeito do composto em 40 mil pessoas que receberam as injeções por oito motivos diferentes. Na análise dos pacientes, constatou-se que as pessoas que receberam as aplicações tinham uma diminuição do risco de desenvolver depressão. “Também é importante ressaltar que qualquer tratamento que provoque bem-estar e autoestima age de maneira positiva na nossa saúde emocional”, completa.
(Estudo aponta Botox como aliado no combate à depressão. Estado de Minas, 2022. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/ feminino-e-masculino/2022/06/12/interna_feminino_e_masculino, 1372350/estudo-aponta-botox-como-aliado-no-combate-a-depressao. shtml. Acesso em: 23/01/2023. Adaptado.)
TEXTO 1
Jovens sem rugas aderem em massa às aplicações de Botox
Desde os primórdios, a humanidade busca a elusiva fonte
da eterna juventude, na forma de poço para os indus de 700
a.C., de rio para Alexandre, o Grande, na antiga Macedônia, e de
fonte mesmo para Ponce de León, o explorador que primeiro
pisou na Flórida. No fim das contas, o sonho (de certa maneira)
se materializou na forma de injeção, com o lançamento, em
meados dos anos 1990, do Botox, nome comercial da toxina
botulínica que paralisa músculos e “congela” rugas e marcas de
expressão por algum tempo. Indicadas a princípio para a faixa
dos 40 a 50 anos, as aplicações de Botox com objetivo estético
cresceram e se multiplicaram em ritmo frenético — atualmente
são 7 milhões por ano só nos consultórios de cirurgiões plásticos, o procedimento estético mais realizado no planeta — e
foram parar em rostos perfeitamente lisos, em comportamento
não avalizado pela maioria dos médicos, adolescentes e jovens
nos seus 20 anos estão aderindo à toxina antienvelhecimento.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostram
que o Botox é o procedimento mais realizado, inclusive, entre 18
e 30 anos, aí computados cirúrgicos e não invasivos, tendo sua
procura crescido 300% nos últimos três anos. Espelho de todas
as modinhas, o aplicativo TikTok virou palco, nos últimos meses,
de jovens sem nenhuma ruga exibindo os efeitos (sutilíssimos)
das aplicações — são mais de 70 milhões de postagens com a
hashtag #BabyBotox. Embora faça questão de mostrar um ou
outro pedacinho de pele modificado pelo Botox, o objetivo principal dessa turma é tentar prevenir a ação do tempo.
Não é de hoje que celebridades na flor da idade apelam
para o Botox. A apresentadora Angélica, 49 anos, assumiu
ter começado a usar aos 14. Kylie Jenner, 25 anos, a caçula
das Kardashians, não confessa a prática, mas é visivelmente
“botocada” há anos. A maior parte dos médicos não só contraindica aplicar a toxina sem necessidade, como alerta que
isso pode afetar o tratamento no futuro. “Não há estudos
científicos que provem que usar o produto preventivamente
retarda ou impede o aparecimento de rugas. É como tomar
antibióticos sem sintomas, achando que assim vai evitar
infecções. Não faz sentido”, afirma o cirurgião plástico Paulo
Matsuda, um dos pioneiros da aplicação do Botox no mundo.
O reinado da toxina botulínica está calcado em uma premissa básica: ela paralisa temporariamente —em média quatro
meses — os músculos onde é aplicada, evitando que as linhas
de expressão formem sulcos profundos e atenuando os sinais
em regiões já marcadas. Salvo casos específicos, seu uso é indicado na faixa dos 30 anos. “Embora não se fale muito nisso,
existe o risco de o uso prolongado criar resistência ao produto.
As doses vão ficando cada vez maiores e mais frequentes, até
ele poder se tornar ineficiente”, explica a cirurgiã Bárbara Machado, que foi assistente de Ivo Pitanguy por 25 anos. Além
disso, paralisar constantemente uma região para evitar as rugas
ali não impede que elas apareçam em outro lugar. Nenhuma dessas ponderações, no entanto, tem desestimulado pessoas
de rosto lisinho a gastar 1.700 reais, em média, por aplicação.
“Percebi que, quando me maquio, as linhas da testa aparecem.
Se existe um procedimento disponível, por que não me antecipar ao problema?”, justifica a estudante de direito e influencer
carioca Bruna Conce, 23 anos, que mora nos Estados Unidos e
usa Botox há um ano.
Os especialistas atribuem o apelo da toxina entre os
jovens à hipervalorização da juventude, elevada às alturas
pelas redes sociais. “Ser jovem não é mais uma fase, e sim
um estilo de vida, um ideal. Tornou-se um valor central na
sociedade”, resume a antropóloga Cláudia Pereira, professora da PUC-Rio. Some-se a isso a obsessão por beleza e
perfeição, e está formado o tubo de pressão que domina a
mente insegura dos mais novos. “É bizarro uma pessoa de
60 anos com rosto de 20. A beleza está no equilíbrio, inclusive das rugas”, reflete Volney Pitombo, vice-presidente da
Sociedade Brasileira Cirurgia Plástica. Vale a pena parar e
pensar antes de ceder à próxima agulhada.