Leia o texto abaixo e responda à questão a seguir.
"O homem político depende do jornalista. Mas de quem
dependem os jornalistas? Daqueles que os pagam. E
quem os paga são as agências de publicidade que
compram para seus anúncios espaços nos jornais, ou
tempo no rádio. À primeira vista, poderíamos pensar
que elas irão se dirigir, sem hesitar, a todos os jornais
cuja grande circulação pode promover a venda de um
produto. Mas é uma idéia ingênua. A venda do produto
tem menos importância do que se pensa. Basta
considerar o que se passa nos países comunistas,
afinal de contas, não se poderia afirmar que milhares
de cartazes de Lênin colados em toda parte pelo
caminho possam tornar Lênin mais querido. As
agências de publicidade do partido comunista (as
famosas seções de agitação e propaganda) há muito
tempo esqueceram a sua finalidade prática (tornar
amado o sistema comunista) e tornaram-se seu próprio
fim: criar uma linguagem, fórmulas, uma estética (os
chefes dessas agências foram, outrora, os mestres
absolutos da arte em seu país), um estilo de vida
particular que em seguida desenvolveram, lançaram, e
impuseram aos pobres povos. Vocês poderiam objetar
que publicidade e propaganda não têm ligação entre
si, estando uma a serviço do mercado e a outra a
serviço da ideologia? Não estão compreendendo nada.
Há mais ou menos cem anos, na Rússia, os marxistas
perseguidos formaram pequenos círculos clandestinos
em que se estudava em conjunto o “Manifesto” de
Marx; simplificaram o conteúdo dessa ideologia para
difundi-la em outros círculos cujos membros,
simplificando por sua vez essa simplificação do
simples, a transmitiram e propagaram até o momento
em que o marxismo, conhecido e poderoso em todo
planeta, viu-se reduzido a uma coleção de seis ou sete
slogans tão precariamente ligados entre si, que
dificilmente poderemos considerá-lo como ideologia. E
como tudo que ficou de Marx não forma mais nenhum
sistema lógico de idéias, mas apenas uma seqüência
de imagens e emblemas sugestivos (o operário que
sorri segurando seu martelo, o branco estendendo a
mão ao amarelo e ao negro, a pomba da paz voando
etc.), podemos justificadamente falar de uma
transformação progressiva, geral e planetária da
ideologia em imagologia"
KUNDERA, Milan. A imortalidade. São Paulo: Companhia
das Letras, 2015.
O texto anterior apresentado discute a relação entre
jornalismo, publicidade e ideologia, abordando
transformações históricas e comunicativas.
A partir da análise desse texto, avalie as alternativas
abaixo e identifique aquela que melhor reflete uma
interpretação coerente e aprofundada das ideias
centrais do autor.