Logo
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200706765

Em seu texto, o cronista refere-se explicitamente a duas compulsões...

📅 2023🏢 VUNESP🎯 PM-SP📚 Língua Portuguesa
#Análise Textual

Esta questão foi aplicada no ano de 2023 pela banca VUNESP no concurso para PM-SP. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Análise Textual.

Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.

1

457941200706765
Ano: 2023Banca: VUNESPOrganização: PM-SPDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Textual
Texto associado
    Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância recebíamos uma lição da qual só agora me dou conta. Não era a que o Bem sempre vence o Mal, embora o herói sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição era o bandido, e era esta: a morte precisa de uma certa solenidade.

    A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela repetição. Para o mocinho, matar era uma coisa corriqueira, uma decorrência da sua virtude. Já o bandido era torturado pela ideia da morte, pela sua própria vilania, pelo terrível poder que cada um tem de acabar com a vida de outro. O bandido era incapaz de simplesmente matar alguém, ou matar alguém simplesmente. Para ele o ato de matar precisava ser lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima da sua inaceitável vulgaridade — enfim, tão valorizado que dava ao herói tempo de escapar e ainda salvar a mocinha. Pois a verdade é que nenhum herói teria sobrevivido à sua primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão de fazer da morte uma arte demorada, um processo com preâmbulo e apoteose, e significado. Nunca entendi por que o bandido não dava logo um tiro na testa do herói quando o tinha em seu poder, em vez de deixá-lo suspenso sobre o poço dos jacarés por uma corda besuntada que os ratos roeriam pouco a pouco, enquanto o gramofone1 tocava Wagner2 . Hoje sei que o vilão queria dar tempo, ao mocinho e à plateia, de refletir sobre a finitude e a perversidade humanas.

    Os vilões do meu tempo de matinês eram invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais e cientistas cujas maquinações eram frustradas pelo prático mocinho. A imaginação perdia para a ação porque a imaginação, como a hesitação, é a ação retardada, a ação precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do bandido, da volúpia do significado. O Mal era inteligência demais, era a obsessão com a morte, enquanto o Bem — o que ficava com a mocinha — era o que não pensava na morte. Quando recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele escapara da morte tão cuidadosamente orquestrada com os ratos e os jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e definitivo tiro na testa, para ele aprender. Deixava-o amarrado sobre uma tábua que lentamente, solenemente, se aproximava de uma serra circular, da qual o herói obviamente escaparia de novo. E, se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o bandido abandonaria sua missão didática. Sucumbiria à sua outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o tiro na testa precisava de uma frase antes, uma explicação, um jogo de palavras. Geralmente era o que dava tempo para a chegada da polícia e a prisão do vilão, derrotado pela literatura.

     Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos pelos burros.


(Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.)


1 gramofone: antigo toca-discos.

2 Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século XIX.
Em seu texto, o cronista refere-se explicitamente a duas compulsões dos bandidos, a saber,
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200559547Língua Portuguesa

A concordância nominal e verbal está em conformidade com a norma-padrão na frase:

#Sintaxe
Questão 457941200667939Língua Portuguesa

Considere os trechos do texto.• ... São Paulo sofre uma carência crônica de espaços públicos... (2º parágrafo) • ... as ruas e praças que se tornam me...

#Semântica Contextual#Análise Textual
Questão 457941200826558Língua Portuguesa

O comentário entre parênteses no primeiro parágrafo permite concluir que

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201041837Língua Portuguesa

Considere as passagens do texto. • … um arremedo de legitimidade para o tirano mais isolado do mundo. (1º parágrafo) • Mas tudo isso os torna mais, nã...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201508281Língua Portuguesa

Se a redação do trecho “uma escola cobriu o telhado com 50 painéis e agora produz metade da energia que consome” for alterada para “se uma escola não_...

#Morfologia Verbal#Flexão de Modo Verbal
Questão 457941202011641Língua Portuguesa

Os dois últimos versos – Essa antítese o acalmou.) / As antíteses congraçam. – expressam a ideia, desenvolvida no poema, de que a criação poética cons...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Análise TextualQuestões do VUNESP