Feijão com arroz: combinação nutricional perfeita,
destaca nutricionista do Cedeba
Aquilo que se faz sempre da mesma
maneira, por hábito, por rotina é o significado da
expressão “feijão – com- arroz”, onde está embutido o
preconceito em relação à combinação, principalmente
por causa do feijão, base da alimentação popular, como
pontua a nutricionista do Centro de Diabetes e
Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Suane Evangelista,
ao ressaltar a importância do consumo do feijão por
pessoas de todas as idades, citando estudos que
associam o consumo da leguminosa como preditor de
longevidade, do controle da obesidade e outras doenças
crônicas como diabetes, por exemplo.
A inclusão de alimentos ricos em nutrientes
no dia a dia é um desafio. No caso do feijão, o
preconceito fala mais alto por ser rotulado como comida
da população de baixa renda, analisa a nutricionista do
Cedeba. Pesa, também, a falta de habilidade para o
preparo. Sem contar- destaca – que parte significativa da
população troca comida de verdade por alimentos
ultraprocessados, esses bastante prejudiciais à saúde.
Por ser rico em fibras, o feijão, como as
demais leguminosas – lentilha, ervilha, grão-de-bico, são
muito importantes para a digestão, além de contribuírem
para a redução da absorção de gorduras. Dos variados
tipos de feijão, o preto é o que contém menos
carboidratos, segundo Suane Evangelista, mas todos os
tipos são importantes; o vermelho, fradinho, branco,
mulatinho…rico em nutrientes, o feijão é pobre em
gordura e importante fonte de proteína vegetal.
O feijão deve fazer parte da alimentação
com o consumo de meia xícara, pelo menos três vezes
por semana, orienta a nutricionista.” Mas a população em
geral, principalmente pessoas com obesidade evitam o
feijão por acreditarem que o alimento contribui para o
ganho de peso. Os estudos mostram exatamente o
contrário: população de países que não consomem feijão
regularmente apresentam taxas mais elevadas de
obesidade.
Muitas pessoas alegam não comer feijão por
sentirem gases, má digestão, mas segundo explicou
Suane Evangelista o preparo correto do alimento, elimina
o problema. Antes do preparo, o feijão como as demais
leguminosas, deve ficar de molho na água pelo período
de 8 a 12 horas. O que também pode dificultar a digestão
do feijão é a adição de carnes gordurosas e embutidos.
O feijão, quando associado ao arroz, tornase uma combinação perfeita, porque se complementam.
Ambos são ricos em aminoácidos essenciais: o que falta
no feijão está presente no arroz. O feijão é rico em lisina,
enquanto o arroz é pobre nesse aminoácido. Já o arroz é
rico em metionina e cisteína, enquanto o feijão é pobre.
Os aminoácidos essenciais do feijão em
ordem decrescente: leucina, lisina, fenilalanina, valina,
isoleucina, treonina, histidina e metionina; e os
aminoácidos não-essenciais: ácido glutâmico, ácido
aspártico, arginina, serina, alanina, glicina, tirosina,
prolina e cisteína.
O arroz é rico nos aminoácidos metionina e
cisteína, porém é pobre no aminoácido lisina, assim
como os outros cereais. O feijão, por sua vez, apresenta
todos os aminoácidos essenciais, sendo inclusive rico em
lisina, mas é pobre em metionina e cisteína (aminoácidos
sulfurados).
Por tantos benefícios, – orienta a
nutricionista do Cedeba – o arroz deve fazer parte da
alimentação em todas as idades, começando na infância.
Para isso é preciso vencer o preconceito que se
evidencia mais nas populações das grandes cidades.
Pessoas da zona rural e de pequenas cidades continuam
consumindo mais feijão com arroz porque são de mais
baixo custo, desse modo, protegem mais a saúde,
destacou Suane Evangelista.
(Fonte: Site do Governo do Estado da Bahia. Disponível
em https://www.saude.ba.gov.br/2023/12/06/feijao-comarroz-combinacao-nutricional-perfeita-destacanutricionista-do-cedeba/)