Como mães e pais, as pessoas têm inúmeras preocupações
com o
futuro de nossos filhos. Entre elas, está a segurança
financeira. No Brasil, oito em cada dez pais ou mães dizem
conversar com seus filhos sobre finanças,
segundo pesquisa
realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box,
publicada em outubro de 2023. O levantamento mostrou que 24%
desses adultos disseram que começaram a falar com as crianças
sobre o tema quando elas tinham até 5 anos. Outros 23%
afirmaram que tiveram a primeira conversa quando os filhos tinham
de seis a oito anos, e 16%, de nove a 11 anos. A pesquisa concluiu
que os pais estão conversando cada vez mais sobre educação
financeira com os filhos.
Estudos mostram que, quanto mais cedo as crianças
aprendem sobre finanças pessoais, mais preparadas elas ficam
para lidar bem com o dinheiro. O podcast Money Box, da BBC,
conversou com Kirsty Stone, planejadora financeira da consultoria
The Private Office, e Stephanie Fitzgerald, diretora de programas
para jovens da ONG britânica The Money Charity. As especialistas
elencaram três dicas para ajudar os pais na tarefa de garantir um
futuro financeiro mais tranquilo para os filhos. "O que realmente
importa é dar-lhes a oportunidade de ter algum controle e tomar
algumas das decisões em relação ao dinheiro, para que talvez
possam cometer alguns erros, resume Fitzgerald.
1. Pense no longo prazo
Como os filhos não precisam de dinheiro imediatamente e os
produtos de poupança a longo prazo sempre oferecem benefícios
maiores, o melhor é comparar as contas que são ofertadas pelos
bancos e os juros de cada uma. "Existem contas infantis simples, e
essa é uma excelente forma de começar a educar a criança sobre
a entrada e a saída de dinheiro", acrescenta Fitzgerald.
Em geral, com as contas de acesso instantâneo, você pode
sacar ou depositar dinheiro a qualquer momento, mas normalmente
tem acesso a uma taxa de juros mais baixa do que com contas ou
aplicações de prazo fixo ou de prazo mais longo (que podem ficar
presas por 12, 18 ou mais meses). Você também pode escolher
uma conta que a criança só poderá acessar quando completar 18
anos. "Isso limita a possibilidade de alguém remover dinheiro
desnecessariamente para cobrir um custo que não é uma
necessidade essencial", disse Fitzgerald no podcast.
2. Dê um passo de cada vez
Começar a poupança para uma criança hoje representa um
grande presente para o futuro. Com essa quantia, os jovens adultos
não apenas conseguem começar a vida independente com mais
tranquilidade. Envolver as crianças no processo, desde cedo,
também os ajuda a aprender lições importantes sobre dinheiro e
economia.
Porém, se você não puder economizar para eles devido à
situação familiar ou à crise financeira, não há problema em
postergar os planos por um tempo. O essencial é não se endividar,
nem usar cartão de crédito sem condições de pagar o boleto no
mês seguinte.
3. Lembre-se da magia dos juros compostos
Tudo começa com uma conta poupança que rende juros.
Vamos supor que você coloque US$ 100 (ou o equivalente em
qualquer moeda) em uma conta que oferece uma taxa de juros de
5%. Observe atentamente os números: no final do primeiro ano,
você terá US$ 105 na conta poupança. Ou seja: os US$ 100 que
você tirou do bolso + os US$ 5 que o banco te deu por ser um bom
cliente e não tocar naquele depósito durante um ano inteiro. O
conceito-chave é: a magia dos juros compostos acontece enquanto
você não faz movimentações com esse dinheiro.
Vamos agora para o segundo ano. A poupança do filho agora
tem US$ 105, mas este ano as finanças não permitem que você
acrescente nada a mais. Ainda assim, o dinheiro continuará a
crescer. Como? Porque no segundo ano você não vai ganhar US$
5. No final deste segundo ano você terá mais. Com a mesma taxa
de juros de 5%, o banco passa a dar uma remuneração superior.
Os 5% que você ganha não são mais sobre os US$ 100 investidos
no início. Os juros agora são aplicados ao total que sua conta
possui no segundo ano (ou US$ 105). Os juros para o segundo ano
são, portanto, de US$ 5,25. Quando ele completar 18 anos, graças à magia dos juros compostos, a poupança estará com US$ 240,66.
Imagine que, em vez dos US$ 100 iniciais, você colocou US$ 1.000.
Ao completar 18 anos, a conta estará com US$ 2.406,62. O recardo
então é: economize aos poucos e deixe a matemática fazer o resto.
Mas atenção sobre qual investimento fazer: o retorno tem que ser
superior à inflação do período, caso contrário, apesar de
nominalmente você ter mais dinheiro, como vimos no exemplo, ele
pode não valer tanto assim.
E, se você quer ensinar finanças ao filho, dê a ele um cofrinho.
Essa é a dica dada pelo site Money Helper. "Essa é uma boa ideia
para crianças muito pequenas. A principal coisa que elas precisam
aprender é que o dinheiro não é um brinquedo e que deve ser
guardado num lugar seguro".
Um cofrinho ajuda as crianças a compreender o valor de
diferentes moedas e notas. Além do que os pais poupam para os
filhos, é importante que eles próprios desenvolvam uma
compreensão de como funciona o dinheiro. Essa certamente é uma
habilidade que os acompanhará pelo restante da vida.
Fonte: https//:www.bbc.com/portuguese/articles/c8428wzd574o.