“A Revolução Francesa, portanto, foi vista como um processo
complexo e de maneira nenhuma linear, o qual, não obstante,
trouxe como clímax a longa ascensão da classe média e substituiu
a antiga sociedade por uma nova.”
(HOBSBAWM, Eric. Ecos da Marselhesa. Cia das Letras. São Paulo. 1996. pp. 30.)
Pode-se considerar como característica do longo processo
revolucionário francês o seguinte aspecto histórico:
A a concomitância de, pelo menos, “quatro Revoluções”
ou grupos de interesses políticos e sócio-econômicos no
interior do próprio processo revolucionário, cuja unidade é
mais aparente do que real: uma “Revolução Aristocrática”;
uma “Revolução Burguesa”; uma “Revolução Camponesa”,
paralela à burguesa e, finalmente, uma “Revolução Popular”
ou “Sans-Culotte”, de curta duração
B a reação da nobreza e do clero, atuando no interior da
Assembléia Constituinte que, assustados com a reação
popular, concordaram em fazer algumas concessões,
abolindo os direitos feudais, mas que não conseguiram
impedir a promulgação da Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão, em agosto de 1789 que, coerente com
as idéias iluministas, afirmava as idéias da burguesia e dos
setores populares
C o predomínio da alta burguesia, representada na
Assembleia Nacional pelos Deputados Girondinos que, não
pretendendo transformar radicalmente a sociedade, admitiu
um compromisso com a velha ordem feudal, conciliando
seus interesses e aprovando, também, medidas populares
visando conquistar o apoio desses setores sociais, tais como
a Proclamação da República e o controle de preços
D as divisões e rivalidades entre os líderes jacobinos e a perda
de apoio das massas populares durante a Convenção,
favorecendo o Golpe do 18 Brumário liderado pelo jovem
general Napoleão Bonabarte, em que a alta burguesia
girondina retomou o comando da revolução e adotou medidas
como o fim do Comitê de Salvação Pública e a dissolução da
Comuna de Paris