O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Passarinho
Cheguei em casa esperando o silêncio habitual, mas fui
surpreendido por um canto de passarinho. O som era
belíssimo e intenso, como se estivesse dentro do
apartamento. Intrigado, segui o trinado até o banheiro e
lá estava ele, um pequeno pássaro preto e branco,
saltitando no parapeito da janela. Seu canto era dobrado,
como um dueto solitário.
Fiquei imóvel, encantado com a sua performance. Ele
dançava e cantava para si mesmo, alheio à minha
presença. Sem aviso, alçou voo, partindo com a leveza
de quem sabe exatamente para onde ir. Fiquei na
esperança de que retornasse.
Cinco dias depois, ele voltou! Chamou-me com seu
gorjeio inconfundível. Minha mulher e eu corremos para
vê-lo, maravilhados. Mais uma vez, partiu sem
despedidas, deixando apenas a lembrança de sua
serenata.
E então, enquanto escrevia esta crônica, ouvi seu canto
outra vez. Corri até a janela e lá estava ele, reafirmando
sua presença e inspirando-me a concluir o texto.
Por que os pássaros cantam? Para mim, é uma
delicadeza de Deus.
Lembrei-me da trova de Mario Quintana:
Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho!
Antonio Carlos Sarmento - Texto Adaptado
https://cronicaseagudas.com/2021/05/30/passarinho/