Analisando a produção da sexualidade nas sociedades modernas, Foucault (1985) afirma
que a sujeição dos corpos e o controle das populações são efeitos de técnicas diversas que
se instauram como um “bio-poder”. A respeito do biopoder e do poder soberano, assinale a
alternativa INCORRETA :
A O poder soberano exercia-se por um direito de vida e morte de forma assimétrica. O soberano
só marca seu poder sobre a vida pela morte que tem condições de exigir, isto é, o direito de causar
a morte ou de deixar viver, relacionando-se a um tipo histórico de sociedade, pré-moderna, em
que o poder se exercia, essencialmente, pelo confisco.
B O direito de causar a morte ou deixar viver foi substituído por um poder de causar a vida
ou devolver a morte. O seu papel é garantir, sustentar, reforçar, multiplicar a vida e pô-la em
ordem. São mortos legitimamente aqueles que constituem uma espécie de perigo biológico para
os outros, porque o poder se exerce ao nível da espécie, da raça e dos fenômenos de população.
C As disciplinas do corpo (anátomo-política) e as regulações da população (bio-política)
constituem os dois pólos em torno dos quais se desenvolveu a organização do poder sobre a vida.
A instalação, durante a época clássica, desta grande tecnologia de duas faces – individualizante
e especificante, voltada para os desempenhos do corpo e encarando os processos da vida –
caracteriza um poder cuja função mais elevada já não é mais matar, mas investir sobre a vida,
de cima a baixo.
D Na tecnologia do poder, a partir do século XIX, aparecem duas direções nitidamente separadas.
Do lado da disciplina as instituições como o Exército ou a escola; as reflexões sobre a tática
ou sobre a aprendizagem. Do lado das regulações de população a demografia, a estimativa da
relação entre recursos e habitantes, a tabulação das riquezas e de sua circulação, das vidas com
sua duração provável. Desse modo, embora a sexualidade seja dispositivo comum a essas técnicas
de poder, distingue-se pelo controle dos corpos individuais nas disciplinas e pela administração
dos fenômenos maciços da população, na biopolítica.
E Jamais as guerras foram tão sangrentas como a partir do século XIX e nunca, guardadas as
proporções, os regimes haviam, até então, praticado tais holocaustos em suas próprias populações.
Foi como gestores da vida e da sobrevivência dos corpos e da raça que tantos regimes puderam
travar tantas guerras, causando a morte de tantos homens. O princípio: poder matar para poder
viver, que sustentava a tática dos combates, tornou-se estratégia entre Estados.