“A primeira descrição de nosso indígena foi, sem
dúvida, a contida na carta de Pero Vaz de Caminha. [...] A
comparação que ele faz dos indígenas com os europeus se
resume na ideia de que os homens que vivem conforme a lei
da natureza são sempre mais perfeitos do que os homens
deformados pela civilização. É a velha teoria da bondade
natural que se expressa sob esta forma. Outro documento,
contemporâneo da epístola de Pero Vaz, é a célebre Carta
do piloto anônimo [...]. No meio do clima doce, os indígenas
viveriam em pleno estado natural.”
FRANCO, A. A. M. O índio brasileiro e a revolução francesa: As
origens brasileiras da teoria da bondade natural. – 2ª ed. Rio de
Janeiro: J. Olympio; Brasília: INL, 1976, p. 19-20. – Adaptado.
Segundo Afonso Arinos de Melo Franco, as descrições dos
habitantes originários do litoral brasileiro dos séculos XVI e
XVII, nos relatos de viagem de europeus ao Brasil,
influenciaram a elaboração, na Europa, das modernas
teorias do Estado como resultado de uma saída do estado
de natureza através de um contrato (ou pacto) social.
Segundo a citação acima, esses relatos ajudaram os filósofos
europeus a pensar sobre