[...] Com isto torna-se manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de
mantê-Ios todos em temor respeitoso, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra
que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a GUERRA não consiste apenas na batalha ou no ato
de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida.
Portanto, a noção de tempo deve ser levada em conta na natureza da guerra, do mesmo modo que na natureza
do clima. Porque tal como a natureza do mau tempo não consiste em dois ou três chuviscos, mas numa tendência
para chover durante vários dias seguidos, também a natureza da guerra não consiste na luta real, mas na
conhecida disposição para tal, durante todo o tempo em que não há garantia do contrário.
THOMAS HOBBES. Leviatã ou matéria, forma e poder de uma República eclesiástica e civil. São Paulo: Martins
Fontes, 2003, p.109.
Sobre o estado de guerra de todos contra todos, segundo Hobbes, considere as asserções abaixo.
I. Não há a possibilidade do desenvolvimento contínuo do trabalho e do cultivo da terra, das artes e das
letras.
II. Seres humanos são dotados muito desigualmente de forças e habilidades, razão pela qual os mais
fortes se tornam mais poderosos.
III. Seres humanos podem obter prazer apenas do convívio com seus amigos próximos.
IV. Não há as noções de certo e de errado, de justo e de injusto e do que é meu e do que é teu.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.