Infelizmente é relativamente comum a ocorrência de uma
cascata de prescrição quando o efeito adverso de
determinado fármaco é interpretado de maneira equivocada
como um sintoma ou sinal de um novo distúrbio e se
prescreve um novo fármaco para seu tratamento. O pior é
que o novo e desnecessário fármaco pode causar efeitos
adversos adicionais, que podem ainda ser novamente
interpretados de maneira equivocada como outro distúrbio e
tratado desnecessariamente, e assim por diante. Por
exemplo, pode ser encontrada prescrição de diurético em
paciente hipertenso com edema periférico causado pelo uso
do vasodilatador hipotensor nifedipino. Entretanto, a terapia
diurética pode causar hipopotassemia exigindo
suplementação de potássio. Nesse caso específico, uma
estratégia melhor seria reduzir a dose ou interromper o uso
do bloqueador do canal de cálcio em favor de outros
fármacos anti-hipertensivos, como inibidores da enzima de
conversão da angiotensina ou bloqueadores do receptor da
angiotensina. Um diurético que tem a capacidade de jogar
água e sal para fora, além do potássio, também acarretando
hipopotassemia e diminuição da força muscular é