Um médico psiquiatra está de plantão e recebe uma
paciente de 35 anos de idade, branca, casada, mãe de um filho e
que trabalha como advogada em uma jornada de trabalho
extenuante. Ela relata que, há 1 hora, estava em seu trabalho,
sentada à mesa, lidando com diversos processos, quando, de
forma súbita, começou a não acreditar mais ser ela mesma.
Percebia-se fora de seu corpo e não sabia mais quem era,
sentindo-se como se não fosse real. Junto com essa sensação,
sentiu que o ambiente em que estava já não era o mesmo, que a
sala estava cada vez maior e que ela estava pequena em relação
ao espaço ao seu redor. Relata que, quanto mais se percebia dessa
forma, mais outros sentimentos tomavam conta de seu corpo, de
modo que passou a sentir formigamento e tremor, que evoluíram
para uma tontura seguida de uma síncope. Na ocasião, foi
socorrida por colegas de trabalho, que a trouxeram para o
pronto-socorro. Do trabalho até o hospital, eles demoraram
20 minutos e a paciente refere que, quando chegaram, os
sintomas já haviam aliviado. Ela menciona que essas crises
começaram há cerca de 2 semanas, quando recebeu uma
gratificação e assumiu um cargo importante em seu trabalho.
Desde então, apresentou 4 crises como essa. Afirma que nunca
teve nenhum problema psiquiátrico e que está com medo de ter
alguma doença grave, temendo morrer, uma vez que vem fazendo
tratamento para HIV há mais de 1 ano e teme que as crises
possam estar relacionadas à sua condição. Atualmente, ela faz
uso de Atazanavir + Ritonavir diariamente. Nega estar fazendo
uso de substâncias recreativas, mas consome mais de 5 xícaras de
café por dia. Exames laboratoriais e de imagem solicitados pelo
médico não apresentam nenhuma alteração aguda do ponto de
vista clínico.