“Marx e Engels denunciavam o que estava
sendo feito no progresso dilacerador do
capitalismo e do imperialismo; insistiam em que
era necessário que os homens lutassem no
sentido de suplantá-los e nos indicaram alguns
caminhos. No entanto, nessa denúncia estava
implícito um outro conjunto de julgamentos de
valor: a burguesia havia ‘salvado uma parte
considerável da população da idiotice da vida
rural’; as nações subjugadas eram ‘bárbaras e
semibárbaras’: as potências dominantes eram
‘civilizadas’. Assim, com base nesse tipo de
confiança nos valores singulares de
modernização e da civilização foi criada uma
distorção fundamental na história do
comunismo”.
WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na
literatura. Trad. Paulo Henriques Britto. São Paulo:
Companhia das Letras, 2011, p. 493.
No excerto acima, extraído da obra O campo e a
cidade, Raymond Williams aponta que Marx e
Engels, em seu Manifesto comunista, haviam
afirmado que relações de centralização e de
dependência tinham criado condições
favoráveis à revolução. Sobre este contexto,
analise as afirmativas abaixo.
I. Engels teria sido um dos primeiros a compreender
a cidade moderna como uma consequência social
e física do capitalismo, sobretudo com a
publicação da obra A situação da classe operária
na Inglaterra em 1844.
II. Williams entende que Marx e Engels viam o
proletariado urbano empobrecido como um corpo
coletivo que aprenderia e criaria novas formas de
sociedade, superior àquela existente.
III. Para Williams há uma ambiguidade na
argumentação de Marx e Engels e que está no
excerto acima: se as formas de desenvolvimento
burguês continham, ainda que não isentas de suas
próprias contradições, valores superiores à
“idiotice rural”, então qualquer programa, em nome
do proletariado, poderia ser justificado e imposto.
Estão corretas as afirmativas: