Atenção: Para responder a questão,
considere o texto abaixo.
Num passado não muito remoto, cada um era definido
por sua proveniência, e as perguntas iniciais diziam: quem foram
seus pais e antepassados? Onde você nasceu? Quais são
as dívidas que você herdou?
Prefiro os dias de hoje, em que são nossas próprias façanhas que nos definem. É uma escolha que deveria nos deixar
mais livres, mas acontece que a praticamos de um jeito estranho:
junto com os laços que nos prendiam às nossas origens
e ao passado, nossa vida concreta também é silenciada na descrição
de nossa identidade. E nos transformamos em sujeitos
abstratos, resumidos por nossa função na produção e na circulação
de mercadorias e serviços.
Consequência: o desemprego nos ameaça com uma
perda radical de identidade. E não adianta observar que, afinal,
nos sobra o resto, ou seja, toda a complexidade de nosso ser.
Não adianta porque, em regra, já renunciamos há tempos a sermos
representados por nossa vida concreta.
Enfim, espera-se que a economia crie empregos. Mas
os poetas e os saltimbancos também têm uma tarefa crucial:
são eles que podem, aos poucos, convencer a gente de que é
nossa vida concreta que nos define, não nossa função produtiva.