"Um jovem professor tomou a palavra e
me disse: A escola a que a professora está se
referindo não é uma utopia? Uma fantasia, ou
melhor, a escola ideal? Nós enfrentamos todos os
dias a realidade das nossas escolas e acho que
estamos falando de escolas muito diferentes, não
acha?
E respondi-lhe: Professor, penso que é
exatamente o contrário. Quem está sempre
falando e imaginando a escola ideal me parece
que é o senhor e tantos outros que me julgam
utópica, idealista! Eu falo de um aluno que
existe, concretamente, que se chama Pedro, Ana,
André... Eu trabalho com as peculiaridades de
cada um e considerando a singularidade de todas
as suas manifestações intelectuais, sociais,
culturais e físicas. Trabalho com alunos de carne
e osso. Não tenho alunos ideais; tenho,
simplesmente, alunos e não almejo uma escola
ideal, mas a escola, tal como se apresenta, em
suas infinitas formas de ser. Não me surpreende
a criança, o jovem e o adulto nas suas diferenças,
pois não conto com padrões e modelos de alunos
‘normais’ que aprendemos a definir, nas teorias
que estudamos. Se eu estivesse me baseando
nessa escola idealizada, não teria a resistência de
tantos, pois estaria falando de uma escola
imaginada pela maioria, na qual, certamente, não
cabem todos os alunos, só os que se encaixam em
nossos pretensos modelos e estereótipos!"
Maria Teresa Eglér
Em um contexto educacional inclusivo, qual é a
abordagem mais apropriada para lidar com as
diferenças culturais, sociais, étnicas e religiosas
em sala de aula?