Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava,
gesticulava, sorria, e o vidro exprimia tudo. Não era mais um
autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada
dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante
do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três
horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar
mais seis dias de solidão, sem os sentir... Quando os outros
voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.
ASSIS, Machado de. O espelho. In: ____. Contos: uma antologia – Volume I.
São Paulo: Companhia das Letras, 2004, 2ª edição, pág. 401-410.
Na passagem "Olhava para o espelho, ia de um lado para
outro, recuava, gesticulava, sorria, e o vidro exprimia tudo.
Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em
diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de
alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando,
meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez.
Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão,
sem os sentir... Quando os outros voltaram a si, o narrador
tinha descido as escadas", qual é a progressão temática
observada?