“As pessoas fogem do trabalho para o
domingo. No final da sexta-feira começa uma
contagem regressiva em direção à festa, ao
descanso, ao tédio e à gargalhada fácil, que é
o desafogo de um país em que o povo e a
economia vão mal [Aparecem trabalhadores
tomando ônibus ou trem]. Domingo é o dia de
se abandonar a cidade, esquecer as
preocupações da escola e do escritório. Na
falta de pão e de biscoitos, há o parque de
diversões em São Gonçalo [Mostra uma
criança negra, aparentemente pobre, em um
parque], a linha de passes na Pavuna
[Aparecem crianças descalças, aparentemente
pobres, jogando futebol], a praia em
Copacabana ou Ipanema, onde para uns
poucos a vida é um domingo interminável
[Mostra o mar e prédios daqueles bairros]. Dia
do Flamengo, do Corinthians, da televisão...”
O MUNDO Mágico dos Trapalhões. Direção: Silvio Tendler.
Narração: Chico Anysio. Rio de Janeiro: RA Produções, 1981. 1
DVD. [trecho]
Exibido nos anos finais da Ditadura Militar
(1964-1985), O Mundo Mágico dos Trapalhões
levou 2,5 milhões de espectadores aos
cinemas em 1981, fato comum nos filmes do
quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum e
Zacarias. No referido trecho, a narração na voz
do humorista Chico Anysio, combinada com as
imagens (cuja descrição está entre colchetes),
serve como crítica a um dos aspectos mais
característicos do Brasil naquele ano: