Texto associado Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
O mito da felicidade
A resposta de qualquer pai ou mãe, indagado sobre o que deseja para os filhos, está sempre na ponta da língua: “só quero que sejam felizes”. A frase não deixa dúvidas de que, numa sociedade moderna, livre de muitas das restrições morais e culturais do passado, a felicidade é vista como a maior realização de um indivíduo. Até governos nacionais __________ na obrigação de fazer algo a respeito. Neste ano, a China e o Reino Unido anunciaram a intenção de medir o grau de felicidade de seus habitantes. Os governantes, espera-se, querem o melhor para seu país, assim como os pais querem o melhor para seus filhos. Mas a ambição de sempre colocar um sorriso no rosto pode ter um efeito contrário. A pressão por ser feliz, condição nada fácil de ser definida, pode acabar reduzindo as chances de as pessoas viverem bem. O americano Martin Seligman, considerado o mestre da psicologia positiva, depois de estudar a busca da felicidade por mais de 20 anos, afirma ser tolice elegê-la como a única ambição na vida. Ex-presidente da Associação Americana de Psicologia , professor da Universidade da Pensilvânia, pai de sete filhos e avô pela quarta vez, Seligman reviu suas teorias e concluiu que é preciso relativizar a importância das emoções positivas. “Perseguir apenas a felicidade é enganoso”, diz Seligman. Segundo ele, a felicidade pode tornar a vida um pouco mais agradável. E só. Em seu lugar, o ser humano deveria buscar um objetivo mais simples e fácil de ser contemplado: o bem-estar. A ideia de que a vida é mais do que a busca de sensações positivas não é nova. Ao escrever que a felicidade é o motivo por trás de todas as razões humanas, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) não defendia viver apenas em busca de emoções positivas e prazeres. Para o filósofo grego, ser feliz era praticar a virtude. Mesmo Thomas Jefferson, que __________ a felicidade a um direito na Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776, não defendia ser feliz acima de qualquer coisa, como queremos hoje. No livro A democracia na América , Alexis de Tocqueville afirma que, para Jefferson, a felicidade envolvia conter desejos para obter objetivos de longo prazo, ou seja, o que muitos afobados de hoje resistem em fazer. A noção de que a felicidade é um objetivo tangível – e não um horizonte que norteia nossas ações – só se tornou dominante na sociedade moderna. Sua base vem do Iluminismo, que colocou o indivíduo – e suas necessidades – no centro das preocupações humanas. É dessa época a teoria utilitarista, que defendia a busca da maior quantidade de felicidade para o maior número de pessoas. Para o jurista e filósofo inglês Jeremy Bentham, a felicidade era a vitória do prazer sobre a dor. A partir do século XVIII, começou a ganhar força a ideia de que temos de evitar as sensações negativas. O principal problema dessa filosofia de vida é basear-se em princípios muito frágeis e efêmeros: as emoções. “Os sentimentos positivos e negativos não podem ser entendidos como fins em si mesmos”, afirma a pesquisadora norueguesa Ragnhild Bang Nes. “As emoções negativas, embora desagradáveis, podem servir de alerta para o indivíduo de que há um problema que precisa ser resolvido ou prepará-lo para experiências futuras”, diz ela. Uma pesquisa inédita encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) revelou que 61% dos entrevistados acreditam que sua felicidade depende de si mesmos. A opinião é corroborada por estudos científicos, que mostram que a personalidade é o que mais influencia a felicidade. Já com relação ao dinheiro, seu efeito positivo parece estar ligado ao aumento do contato social. Para os estudiosos, “o dinheiro tem uma relação positiva com a felicidade, mas esta é pequena diante de fatores não monetários, como as relações sociais”.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI236742-15228,00.html – Texto adaptado especialmente para esta prova.
Assinale V, se verdadeiro, ou F, se falso, nas seguintes assertivas sobre elementos que se relacionam no texto.
( ) Na linha 26, “horizonte” é um predicativo de “felicidade” (l. 26).
( ) Na linha 27, “Sua base” reporta-se a “felicidade” (l. 26).
( ) Na linha 28, “dessa época” remete a “Iluminismo” (l. 27).
( ) Na linha 36, “lo” refere-se a “indivíduo” (l. 35).
( ) Na linha 42, “esta” refere-se a “relação positiva” (l. 41).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: