A questão é baseadas nos
textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil. 4 ed. São Paulo: Globo,
2000. p.80.
TEXTO 5
Poema autobiográfico
Quando eu nasci
meu
pai batia sola
minha mãe pisava milho no pilão
para o angu das manhãs.
Eu sou um trabalhador
Ouvi o ritmo das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mocambo do “Bode”
e hoje moro num barraco na Saúde...
Não mudei nada...
TRINDADE, Solano (1908-1974). Poemas antológicos de
Solano Trindade. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. p.52.
TEXTO 6
Mestre Amaro
O bater do martelo do mestre José Amaro
cobria os rumores do dia que cantava nos
passarinhos, que bulia nas árvores açoitadas
pelo vento. Uma vaca mugia por longe. O
martelo do mestre era forte, mais alto que tudo.
O pintor Laurentino foi saindo. E o mestre, de
cabeça baixa, ficara no ofício. Ouvia o gemer
da filha. Batia com mais força na sola. Aquele
Laurentino sairia falando da casa dele. Tinha
aquela filha triste, aquela Sinhá de língua solta.
Ele queria mandar em tudo como mandava no
couro que trabalhava, queria bater em tudo
como batia naquela sola. A filha continuava
chorando como se fosse uma menina. O que
era que tinha aquela moça de trinta anos? Por
que chorava, sem que lhe batessem? Bem que
podia ter tido um filho, um rapaz como aquele
Alípio, que fosse um homem macho, de sangue
quente, de força no braço. Um filho do mestre
José Amaro que não lhe desse o desgosto
daquela filha.
[...] O mestre José Amaro sacudiu o ferro na
sola úmida. Mais uma vez as rolinhas voaram
com medo, mais uma vez o silêncio da terra se
perturbava com o seu martelo enraivecido.
Voltava outra vez à sua mágoa latente: o filho
que lhe não viera, a filha que era uma manteiga
derretida. Sinhá, sua mulher era culpada de
tudo. [...] O pai fizera sela para o imperador
montar. E ele ali, naquela beira de estrada,
fazendo rédea para um sujeito desconhecido.
REGO, José Lins do. Fogo Morto. 77 ed. Rio de Janeiro: José
Olympio, 2014. p. 39-40