A organização sociopolítica de povos africanos, antes da chegada de europeus, séc. XIV d.C., se deu por
meio dos Impérios de Gana, Mali e Songai, Reinos Achanti, Abomé e Congo. O Reino de Gana é
caracterizado como um dos ricos e poderosos impérios da época. Costa e Silva ocupando-se dos relatos
de experiências dos viajantes árabes, ao notarem a riqueza do Reino de Gana, transcreve:
De Tarkala à cidade de Gana, gastam-se três meses de marcha um deserto árido.
No país de Gana, o ouro nasce como plantas na areia, do mesmo modo que as
cenouras. É colhido ao nascer do sol. [Gana] é a terra do ouro. (...) Toda a gente do
Magreb sabe, e ninguém disto discrepa, que o rei de Gana possui em seu palácio
um bloco de ouro pesando 30 arratéis (cerca de 14 kg). Esse bloco de ouro foi
criado por Deus, sem ter sido fundido ao fogo ou trabalhado por instrumento. Foi,
porém, furado de um lado ao outro, a fim de que nele pudesse ser amarrado o cavalo
do rei. É algo curioso que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo e que
ninguém possui a não ser o rei, que disso se vangloria diante de todos os soberanos
do Sudão (COSTA E SILVA, Alberto da, em Imagens da África: da Antiguidade
ao século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 27.32).
Os textos acima levam à conclusão de que o Rei de Gana utilizava: