As infecções do trato genital feminino constituem-se em importantes entidades clínicas pela
frequência com que se apresentam, pela sintomatologia desconfortável, pelas repercussões
psicológicas e, na sexualidade, pela possibilidade de gerar complicações e sequelas
importantes, além de facilitarem a aquisição/transmissão do vírus da imunodeficiência
humana (HIV) e de outros agentes de transmissão sexual. Em relação às vulvovaginites,
A a candidíase é o processo inflamatório vaginal causado pela proliferação de fungos no
meio vaginal que leva ao aparecimento de sintomas como corrimento, prurido, disúria e
dispareunia. A Candida albicans é o agente mais frequente, ocorrendo em 65% dos casos.
Outras espécies de Candida, como a Glabrata, Krusei e a Tropicalis, são encontradas em
aproximadamente 35% dos casos.
B a vaginose bacteriana (VB) é um estado de desequilíbrio da flora vagin al caracterizado
pela substituição dos Lactobacillus por bactérias anaeróbias e facultativas. As bactérias
mais frequentemente encontradas são Gardnerella, Atopobium, Prevotella, Megasphaera,
Leptotrichia, Sneatia, Bifi dobacterium, Dialister, Clostridium e Mycoplasmas.
C a vaginite inflamatória descamativa é uma forma de vaginite purulenta aguda, causada
pela excessiva proliferação de Lactobacillus, com redução do pH vaginal e citólise. A
etiologia é desconhecida e, em alguns casos, têm sido identificados Staphylococcus
epidermidis e Escherichia coli como agentes. Existe a hipótese de que fatores
imunológicos e deficiência de estrogênios contribuam para a afecção.
D a tricomoníase é causada por um parasita que penetra na vagina, aderindo fortemente às
células glandulares, ligando-se a uma proteína de superfície. Esse utiliza nutrientes do
meio vaginal, fagocitando vírus, fungos e outros parasitas. Possuem, ainda, a capacidade
de formação de biofilmes, o que facilita a aquisição de outras infecções, inclusive a do
HIV.