Leia o texto a seguir.
“Quero aprender a ler e a escrever” disse, certa vez, a
camponesa de Pernambuco, para deixar de ser sombra dos
outros”. É fácil perceber a força poética se alongando em força
política de que seu discurso se infundiu com a metáfora de que
se serviu. Sombra dos outros. No fundo, estava cansada da
dependência, da falta de autonomia de seu ser oprimido e
negado. De “marchar” diminuída, como pura aparência, como
puro “traço” de outrem. Aprender a ler e a escrever mostraria a
ela, depois, que, em si, não basta para que deixemos de ser
sombra dos outros; que é preciso muito mais. Ler e escrever a
palavra só nos fazem deixar de ser sombra dos outros quando,
em relação dialética com a “leitura do mundo”, tem que ver com
o que chamo a “re-escrita” do mundo, quer dizer, com sua
transformação.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação. São Paulo: Editora Unesp, p. 40,
2000.
O quadro acima traz um pequeno trecho dos escritos de
Paulo Freire, no qual podem ser identificados alguns
aspectos importantes de sua proposta educacional e
pedagógica. Com base no que apresenta o referido trecho,
é possível afirmar que a pedagogia freireana corresponde a
uma proposta de educação