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A República em transformação
Em um célebre ensaio publicado em 1924, quando esta
República ainda pelejava para se firmar como tal, Alceu
Amoroso Lima escreveu que “o Brasil se formara às avessas”. Na visão do escritor e crítico literário, este é um país
peculiar, pois “tivera Coroa, antes de ter Povo. Tivera Parlamentarismo, antes de ter eleições. Tivera escolas superiores,
antes de ter educação popular. Tivera bancos, antes de ter
economias. Tivera conceito exterior, antes de ter consciência
interna”. O Brasil, em suma, “começara pelo fim”.
Um século depois, a reflexão do “Tristão de Ataíde” segue
tão instigante como decerto era quando veio a público pela
primeira vez. Sua atualidade é permanente, pois está amparada por sólida base factual. Ademais, serve como um convite aos leitores para que observem criticamente o modelo institucional e as estruturas de poder político adotadas no Brasil,
vis-à-vis* as de outros países mais desenvolvidos, não raro
resultantes de longos processos de construção da base para
o topo, ou seja, que contaram com uma efetiva participação
popular.
O que se discute é a aptidão do Estado, vale dizer, do
poder político institucional, para atender aos justos anseios
dos cidadãos por liberdade, igualdade de todos perante a lei
e oportunidades de crescimento individual, condição indispensável para o desenvolvimento coletivo da Nação.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.03.2025. Adaptado)