ALMAS MORTAS
Em busca de seus próprios interesses, o personagem principal
da obra “Almas Mortas”, de Gógol, Tchítchikov, torna-se um
bajulador inescrupuloso que pouco ou nada diz sobre sua real
origem ao chegar em uma capital de província da Rússia, ao
mesmo tempo em que é ousado o suficiente para ganhar a
confiança dos nobres e altos funcionários da cidade,
conquistando a simpatia de todos os graus de hierarquias civis.
Aos poucos, o personagem toma forma e demonstra-se um
grande especulador, que por somas irrisórias faz ofertas a
alguns donos de terras da região: comprar almas mortas. O
termo “almas”, na Rússia, designa os servos, escravos dos donos
de terras. Tchítchikov não deixa claro seu propósito ao realizar
diversas transações envolvendo os servos já falecidos, invisíveis
para a lei.
A princípio, há um véu de respeito à ética e aos bons costumes
que logo é substituído pela negociata barata e presunçosa – dos
dois lados, por parte de quem compra e também de quem vende.
Até então, pouca coisa se sabe sobre o especulador. Em síntese,
está não é a questão principal do livro – o que perpassa a trama
são os costumes de um povo que luta por buscar sua identidade,
em todas as camadas sociais e em meio a diversos outros
costumes ‘impostos’ por outras sociedades. Gógol não deixa
claro qual a origem do personagem, justamente para assim
conseguir passear entre as diversas facetas dos envolvidos.
(Adaptado. Disponível em: http://bit.ly/2lXMT78)