Leia o texto a seguir para responder à questão:
Cuidar de quem cuida de idosos dependentes:
por uma política necessária e urgente
Cuidar decorre das expectativas sociais sobre o conceito
cultural de família e continua a ser parte das obrigações femininas. Costuma acontecer que, nas famílias, uma mulher é
escolhida como cuidadora pela pessoa de quem cuida, ou é
autoescolhida, ou, ainda, exerce sua função por falta de outra
opção.
No Brasil, o espectro de idade delas vai de 26 a 86 anos.
São mulheres que abrem mão da vida pessoal, profissional,
social e afetiva. E, mesmo quando seu trabalho é banhado de
amor e reconhecimento, ela se empobrece do ponto de vista
econômico e social e passa a ter, desde então, uma existência restrita e confinada, unicamente dedicada ao familiar
em situação de dependência. As que são apoiadas por algum
tipo de renda consideram esse aporte insuficiente. E as que
vivem com pouca renda reduzem as opções de suporte frente
à carga das necessidades. A maioria afirma que não recebe
ajuda de ninguém e nenhuma recompensa econômica por
sua dedicação.
Cuidar sempre afeta a vida da cuidadora. Em estudos que
as comparam com a população em geral, são representadas
com pior saúde física, mais frequente uso de medicamentos,
taxas elevadas de depressão e ansiedade, estresse, menor
satisfação com a vida e sensação de sobrecarga. Existem
evidências de que o comprometimento cognitivo e a doença
mental do idoso são mais onerosos do que os problemas físicos para quem cuida deles. Os agravos da própria saúde
mental da pessoa que acompanha o idoso frequentemente
aumentam à medida do tempo gasto no cuidado.
(Maria Cecília de Souza Minayo, “Cuidar de quem cuida de idosos
dependentes: por uma política necessária e urgente”. Adaptado)