O historiador italiano Alessandro Portelli, ao desenvolver uma pesquisa fundamentada na história oral,
realizou uma entrevista com Alfredo Filipponi, antigo operário e secretário da resistência comunista contra
o fascismo entre 1943 e 1944. A entrevista ocorreu em 1973, quando Filipponi já se encontrava muito
doente e faleceu pouco tempo depois. No decorrer da entrevista ocorreu o seguinte diálogo:
Portelli: Durante a resistência, você pensava apenas na liberdade nacional ou desejava alguma coisa
mais?
Filipponi: Pensavámos na libertação nacional do fascismo e, após isso tínhamos esperança de alcançar
o socialismo, o qual ainda não havíamos atingido. Depois que a guerra terminou - Terni foi onze meses
mais cedo do que o resto do país -, o camarada Palmiro Togliatti [secretário do Partido Comunista italiano
no pós-guerra] convocou uma reunião com os líderes do Partido em todas as províncias da Itália. Togliatti
fez um discurso e adiantou que haveria eleições e pediu o meu apoio para ganharmos a eleição. Houve
aceitação ao discurso feito, mas eu levantei minha mão: “Camarada Togliatti, eu discordo”, porque, como
Lenine disse: quando o tordo voa, é o momento de atirar nele. Hoje o tordo está voando: todos os chefes
fascistas estão se escondendo ou fugindo, tanto em Terni como em qualquer outro lugar. Este é o
momento: nós atacamos e construímos o socialismo. Togliatti colocou a sua moção e a minha em votação
e a dele obteve quatro votos a mais do que a minha, e assim foi vencedora.
Adaptado de: PORTELLI, Alessandro. Sonhos Ucrônicos, Memória e Possíveis Mundos dos Trabalhadores. Projeto História, n.
10, São Paulo: Educ, 1993. p. 42-43.
Segundo Portelli, a confrontação entre Filliponi e Togliatti nunca aconteceu. Com base nos estudos atuais
sobre a oralidade como fonte de pesquisa, essa constatação indica que a História Oral