“A conjuração da Bahia, dez anos mais tarde, foi um
movimento predominantemente urbano e muito mais
radical, pois tinha em mira uma sublevação armada de
mulatos, negros libertos e escravos. Seus principais chefes
eram artesãos (em especial alfaiates) e soldados. Esteve
envolvido um pequeno número de jovens brasileiros
brancos com instrução, notadamente Cipriano Barata de
Almeida. Aqui a influência da Revolução Francesa foi
predominante. Os chefes da revolta reivindicavam: a
independência política de Portugal, democracia, um
governo republicano e o livre comércio, mas também
liberdade, igualdade e fraternidade e o fim da escravidão e
da discriminação racial numa capitania cuja população era
constituída de um terço de escravos e dois terços de
oriundos da África. (Na verdade, na cidade de Salvador a
proporção de brancos para as outras etnias era de 1 para 5.)
No entanto, a classe dominante na Bahia não estava
disposta a ouvir as exigências de mudança política. A
insurreição dos affranchis (negros libertos) e escravos de
Saint-Domingue fora para os senhores de escravos em todas
as Américas uma terrível advertência sobre as
consequências da propagação, nas sociedades escravistas,
das ideias do liberalismo, igualitarismo e direitos do homem
– e da contestação do controle da metrópole pelos
elementos revolucionários da população branca.”
BETHEL, Leslie. (Org.) História da América Latina. São Paulo:
EDUSP/Fundação Alexandre de Gusmão, Crítica, 1999, v. 3, pgs. 197.
Considerando o texto, assinale a alternativa correta: