Maria Fani Scheibel e Silvana Lehenbauer defendem a ideia de que a internalização dos sistemas de signos (linguagem, escrita,
matemática) produzidos culturalmente provoca mudanças cruciais no comportamento humano. As autoras, ao investigarem uma
amostra de alunos alfabetizados e não alfabetizados da EJA, concluem que
A a linguagem, tanto escrita quanto falada é resultado de determinado ambiente sociocultural; a escolarização expande a
habilidade do sujeito no uso da linguagem, com a ampliação de seu vocabulário e o uso de categorias abstratas e essa
mudança deve ser resultado de interações grupais, do contexto, e não uma mudança resultante exclusivamente da
interação professor-aluno – nesse caso mudança individual.
B a internalização dos sistemas de signos (linguagem, escrita, matemática) produzidos culturalmente altera-se de acordo
com o padrão de vida dos alunos pesquisados e com a forma como eles contatam os sistemas de mediação com a escrita
formal e a lógica silogística do raciocínio, determinando o grau de aculturação dos sujeitos por meio do uso das funções
mentais superiores.
C a diferença entre os grupos relativamente aos níveis de aprendizagem possibilita as trocas de concepções, conceitos,
experiências, porém, dificulta a cooperação e o apoio mútuo; a escrita passa a ter um propósito social tanto em situações
de conflito quanto de desafios pessoais sendo que, nestes últimos, para o domínio dos conteúdos, a interação professor-aluno
mostrou-se imprescindível.
D o grupo pesquisado apresentou comportamento contrário em situação de linguagem escrita e falada, comparativamente
aos resultados obtidos pelos pesquisadores da Escola de Troika; os instrumentos da escrita possibilitaram a classificação
de objetos e figuras de acordo com seus atributos, outros, de acordo com suas funções e outros, ainda, já utilizando
conceitos abstratos e taxionômicos.
E a internalização dos signos concretizada na linguagem demonstrou ser o resultado da interação dialética das vivências
escolares, profissionais e do meio físico e social dos sujeitos pesquisados; os signos ensinados na escola auxiliaram a
memória e a atenção, operando como instrumentos psicológicos importantes para a construção de conceitos cotidianos ou
espontâneos.