Uma curiosa característica da historiografia geral, política
e social foi a relativamente pequena atenção dada à história da
justiça ou, se quisermos ser mais limitados, à história do
Poder Judiciário.
Pode-se levantar uma hipótese: a justiça foi percebida
como um poder alheio àquilo que se chamou comumente política
a partir do século XIX, ou seja, a luta e a disputa para ocupar
posições de governo, de mando em geral e de decisão em lugar
dos outros.
Uma segunda hipótese: os historiadores não se sentem à
vontade com um campo muito específico, como são o direito e o
dos juristas. O direito se constitui em esfera especial e
profissional à qual se tem acesso apenas por meio de um curso
universitário, enquanto a política permite acesso aos lugares de
poder por meio de eleições e não exige, pois, nenhum preparo
intelectual determinado. Qualquer um do povo pode ser político,
mas nem todos podem ser juristas ou juízes profissionais.
José Reinaldo de Lima Lopes.
História da justiça e do processo no Brasil do século XIX.
Curitiba: Juruá, 2017, p. 9-10 (com adaptações).