Recém-nascido a termo, com cardiopatia congênita complexa, evolui no décimo dia de pós-operatório de cirurgia cardíaca, com piora progressiva do
padrão respiratório. Radiografia de tórax evidencia
derrame pleural esquerdo volumoso. Drenagem do
tórax mostra líquido de aspecto leitoso, concentração sérica de triglicerídeos maior que do plasma,
contagem de células maior que 1000/ml, com 80%
de linfócitos. Está correto afirmar que:
A trata-se de um quilotórax congênito, já que o
derrame pleural é à esquerda. Neste caso, o
tratamento indicado será manter o paciente
em dieta zero, iniciar nutrição parenteral total
e ligadura do ducto torácico.
B trata-se de um quadro de quilotórax secundário à lesão traumática de ducto torácico. O tratamento inicial pode ser conservador e inclui
uma dieta rica em triglicerídeos de cadeia longa, pois os ácidos graxos saturados são absorvidos diretamente no sistema porta, e não pela
drenagem linfática. Nutrição parenteral sem
triglicerídeos de cadeia média e o octreotide,
também estão indicados neste caso.
C trata-se de um quadro de quilotórax, provavelmente secundário à lesão traumática do ducto
torácico. O tratamento inicial é conservador,
com dieta rica em triglicerídeos de cadeia
média e retirada dos triglicerídeos de cadeia
longa. Caso o paciente permaneça com débito pelo dreno de tórax, deve-se iniciar jejum e
nutrição parenteral total. O octreotide, análogo
sintético da somatostatina, também pode ser
usado como tratamento coadjuvante.
D trata-se de um quadro de empiema, não sendo
necessário qualquer restrição alimentar e estando indicado o início imediato de antibioticoterapia.
E trata-se provavelmente de um quilotórax congênito, visto que malformações linfáticas são
comuns nas cardiopatias congênitas. Neste
caso, a abordagem inicial é nutrição parenteral
total e pleurodese precoce.