Demerval Saviani, em "Sobre a natureza e a especificidade da educação", afirma:
Sabe-se que a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos. Assim sendo, a compreensão da
natureza da educação passa pela compreensão da natureza humana. Ora, o que diferencia os homens dos
demais fenômenos, o que o diferencia dos demais seres vivos, o que o diferencia dos outros animais? A
resposta a essas questões também já é conhecida. Com efeito, sabe-se que, diferentemente dos outros
animais, que se adaptam à realidade natural tendo a sua existência garantida naturalmente, o homem
necessita produzir continuamente sua própria existência. Para tanto, em lugar de se adaptar à natureza, ele
tem que adaptar a natureza a si, isto é, transformá-la. E isto é feito pelo trabalho. Portanto, o que diferencia o
homem dos outros animais é o trabalho. E o trabalho se instaura a partir do momento em que seu agente
antecipa mentalmente a finalidade da ação. Conseqüentemente, o trabalho não é qualquer tipo da atividade,
mas uma ação adequada a finalidades. É, pois, uma ação intencional.
Para sobreviver o homem necessita extrair da natureza ativa e intencionalmente os meios de sua
subsistência. Ao fazer isso ele inicia o processo de transformação da natureza, criando um mundo humano (o
mundo da cultura).
Dizer, pois, que a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos significa afirmar que ela é, ao
mesmo tempo, uma exigência de e para o processo de trabalho, bem como é, ela própria, um processo de
trabalho.
(Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras aproximações. Campinas: Autores Associados, 2000.)
Tendo em vista a relação entre educação, escola e sociedade, a partir da perspetiva crítica defendida pelo
autor, é INCORRETO afirmar que