A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais
— centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de
grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de
países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se
geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas
quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do
que em outras.
A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas
está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos,
econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também
apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.
Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades
de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural.
As aldeias constituem centros menores na periferia.
Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos,
privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias
entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do
que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e
qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de
uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação
ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As
vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência
através do centro — também quando isso exige maiores desvios.
Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo,
transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais
vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que
as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos.
Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições
culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se
predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades
de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade.
Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os
mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários
são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são
mais altos.
Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura
pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais
flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais
fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida
decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se
movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais
e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com
frequência, mais conservadoras.
Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética,
política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização.
Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.
Julgue o item subsequente, relativo às ideias e às construções
linguísticas do texto precedente.