Outro interessante exemplo [...] temos nos reis, históricos ou míticos, que teriam desaparecido sem morrer e
que retornariam quando seus povos deles precisassem.
A crença nesses monarcas messiânicos e milenaristas
tanto podia legitimar seus sucessores quanto servir de
contestação ao governante do momento. Henrique II da
Inglaterra (1154-1189), por exemplo, procurou justificar
sua pretensão sobre Gales, Irlanda e Escócia, associando sua dinastia, de origem estrangeira [...], a Artur, mítico rei dos bretões. Como se acreditava que um dia Artur
voltaria da ilha de Avalon para pessoalmente governar
a Grã-Bretanha, quando, em 1554, Filipe II de Espanha
casou-se com Maria Tudor precisou solenemente jurar
que renunciaria ao trono inglês se Artur o reivindicasse.
(Hilário Franco Júnior, A Idade média: nascimento do ocidente)
O excerto exemplifica