“Há muito tempo, com efeito, nossos grandes
precursores, Michelet, Fustel de Coulanges, nos
ensinaram a reconhecer: o objeto da história é, por
natureza, o homem. Digamos melhor: os homens.
Mais que o singular, favorável à abstração, o plural,
que é o modo gramatical da relatividade, convém a
uma ciência da diversidade. Por trás dos grandes
vestígios sensíveis da paisagem, [os artefatos ou as
máquinas, por trás dos escritos aparentemente mais
insípidos e as instituições aparentemente mais
desligadas daqueles que as criaram, são os homens
que a história quer capturar. Quem não conseguir
isso será apenas, no máximo, um serviçal da
erudição. Já o bom historiador se parece com o ogro
da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está
a sua caça”
BLOCH, Marc. Apologia da história, ou o ofício do historiador.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, p. 51.
Com relação às concepções de Marc Bloch a respeito
da legitimidade e utilidade do conhecimento
histórico, assinale a alternativa correta.
I – O conhecimento histórico age tão profundamente
sobre os fundamentos mesmos da “estrutura
mental ocidental” e pertence a ela tão
intrinsecamente que se tornou inconsciente.
II- O conhecimento histórico deve ser experienciado
como uma forma de prazer, o prazer do
conhecimento do outro, e pela curiosidade de
conhecer situações vividas, sentimentos, formas
de vida, sobrevivência e morte.
III-O conhecimento histórico interessa ao homo
sapiens, que tem a intenção de conhecer-se e se
reconhecer e quer conhecer o que o rodeia e a ele
mesmo, donde advém parte significativa de sua
legitimidade intelectual.
IV-Na medida em que coloca em contato homens do
presente e do passado, o conhecimento histórico
tem legitimidade social.